A Exaustão da Supermulher à Beira de Um Ataque de Nervos

Há uns tempos atrás na minha comunidade online, perguntei às mulheres com quem trabalho, o que era mais desafiante para elas dizer:

A – Amo-te

B – Desculpa

C – Preciso ajuda

A maioria das mulheres da minha comunidade (99%) escolheu a opção C, eu própria respondi a opção C, e é bem provável que também tu respondas a opção C.

E porque será assim? Este foi a questão que me levou a pesquisas e estudos profundos e inspirou-me a escrever este post.

A resposta está naquilo a que chamo a síndrome ou o arquétipo, mito, da Supermulher à Beira de um Ataque de Nervos.

E quem é esta mulher?

A Supermulher à Beira de um Ataque de Nervos expressa-se através da maior parte de nós, mulheres modernas, mulheres filhas do movimento feminista e de uma sociedade patriarcal.

Mulheres que se sentem exaustas, cansadas, em burn out, deprimidas, ansiosas, perdidas e insatisfeitas com as suas vidas

A Supermulher à Beira de um Ataque de Nervos pode ser vista como uma persona que muitas mulheres vestiram e vestem, inocente e ignorantemente, de forma não só a sobreviver na sociedade, mas também como forma de serem aceites e amadas, numa sociedade onde se privilegiam os valores masculinos.

Quando a mulher se emancipou o slogan que se ouvia por todo o lado era:  “tu podes ter tudo! Uma carreira de sucesso, um casamento feliz, uma maternidade que te realiza, e uma casa sempre arrumada digna de ser fotografada para uma revista de design de interiores”.

É este o slogan que ouvem muitas mulheres no seu inconsciente, e que as faz accionar o modo de Supermulher à Beira de Um Ataque de Nervos. Mulheres extremamente exigentes consigo mesmas e consequentemente com os outros também. Uma mulher que anseia ser perfeita e ter um vida perfeita. 

Mas a troco de quê?

A Perda da Alma Feminina

Tudo começa porque o sistema social em que vivemos e fomos educadas é um sistema que valoriza os valores do principio masculino. Ou seja, a produtividade, as metas, o fazer, os objectivos, a racionalização e a intelectualização. 

Assim, estas mulheres associam a sua auto-estima e o seu valor àquilo que fazem, ao que produzem e aos resultados que demonstram. Vivem e servem os valores masculinos e esqueceram-se e/ou estão completamente desligadas dos valores femininos, tais como o sentir, o nutrir, o processo, o prazer, o presente, o ser. 

São mulheres incríveis, com resultados extraordinários, mas que se sentem esgostadas, muitas diagnosticadas com distúrbios de ansiedade ou depressão, profundamente desconectadas delas mesmas.

Muitas se sentem secas, áridas, amarguradas, autênticas Supermulheres à Beira de um Ataque de Nervos que tentam loucamente chegar a todo o lado, menos a elas mesmas. 

Mulheres que correm contra o tempo, e que sentem que a vida lhes escorre pelos dedos.

O facto de vivermos numa sociedade que reprimiu o feminino e tudo o que feminino representa, trouxe profundas feridas não só às mulheres, mas também aos homens. Atrevo-me até a dizer que a forma como a humanidade trata o planeta e a sua falta de empatia, se devem a esta repressão de tudo o que é o feminino e o que ele representa.

Pois o feminino é o selvagem, é a vida-morte-vida, é o incontrolável, o mutável, sempre em crescimento e em transformação. O Feminino não é estável, não é seguro, não é constante, esse é o masculino, e esses são os valores do masculino. 

Então mulher, pergunto-te, que princípios, crenças, imutáveis e inflexíveis moldam a tua vida, a tua existência, e a tornam muito segura e te superprotegem?

A Perfeição como Inimiga da Vida

Há uns tempos ouvi esta frase da boca de uma das minhas mentoras: “ir para a vida é sujar as mãos”. Achei esta frase maravilhosa e cheia de sentido e profundidade, pois a vida é tudo menos perfeita.

Viver verdadeiramente é colocar-se vulnerável, correr o risco de se ser magoada, ferida, rejeitada, mas é também a possibilidade de amar loucamente, de viver a alegria, o êxtase, a criação.

A vida é um constante fluxo de bênçãos e lições, ganhos e perdas. É um erro e uma grande armadilha achar que devemos ter todos os passos definidos na jornada da vida e tentar não sujar as mãos.

A vida acontece a cada instante, com ela vamos crescendo, aprendendo e se nos permitirmos ser verdadeiramente transformados por ela, individualiza-mo-nos e desabrochamos no nosso Eu Autêntico.

Tal como uma rosa que desabrocha na primavera e presenteia-nos com o seu perfume, também a vida quer que tu, mulher, te cumpras e tragas os teus dons para o mundo.

Mas a perfeição é estática, ela é mental, é uma caixa onde não há espaço para a autenticidade nem para a diferença. 

A adição à perfeição nada mais mostra do que uma grande fragilidade do eu, o seu complexo de inferioridade/superioridade e imaturidade emocional. Podes ler aqui o artigo sobre a Adição ao Perfeccionismo e a Desconexão da Alma.

Ser Vulnerável Requer Muita Coragem

Para a Supermulher à Beira de um Ataque de Nervos, o seu grande trabalho é aprender a sair da sua postura de “tenho tudo controlado” para o “eu não sei”, “eu sinto”, “eu preciso de ajuda”, e isso será o seu maior ato de coragem, pois colocar-se nesse lugar é colocar-se a jeito à rejeição, à solidão, e isso poderá acordar muitas feridas antigas. 

Para muitas mulheres, a máscara da Supermulher à Beira de um Ataque de Nervos, foi a forma como conseguiram sobreviver emocionalmente e psicologicamente. Para muitas foi a forma que arranjaram de se sentirem aceites e amadas pela família, amigos e sociedade. 

Mas e tu? Amas-te? Sentes que tens valor por quem és e não pelo que conquistas? Sentes a vida que te foi dada pelos teus pais no teu corpo? Honras essa vida? Ou vives meia vida faminta de alma, e de algo que lhe dê verdadeiro significado?

O Regresso a Casa

A primeira aprendizagem que essas mulheres precisam fazer é reconhecer que aquilo que elas anseiam é por elas mesmas. Que o amor, a vida, a felicidade que procuram não vão encontrar nas conquistas exteriores, no fazer mais, mas sim no ser, no ser que elas são, ao se re-encontrarem consigo mesmas.

Para estas mulheres é fundamental que comecem a resgatar a sua Alma Feminina (se sentes que és umas destas mulheres podes começar o teu caminho aqui, com a Masterclass Online Feminitude Consciente e os Arquétipos Femininos).

É fundamental que aprendam a relaxar, a parar, a sentir, a expressar através do seu corpo e da sua voz a verdade profunda do seu coração, que expressem os seus desejos, que procurem o prazer, a diversão, que saiam do seu pedestal de mulheres imprescindíveis capazes de tudo, para mulheres que se permitem receber ajuda, partilhar verdadeiramente a vida, que aceitam e celebram as suas imperfeições, a sua humanidade, e a dos outros. 

Não lutes contras esses sentimentos que tens de insatisfação ou irritação, pois eles são a forma da vida te chamar para a vida. Vais saltar ou ficar no mesmo lugar?

No próximo domingo, dia 25 de Outubro irei fazer uma live no meu perfil de Instagram sobre este tema, onde irei falar mais sobre a Supermulher à Beira de um Ataque de Nervos e partilhar sobre como fazer para activar a Mulher Autêntica. 

 

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