Conexão – A essência da vida

Pergunto-me frequentemente qual o propósito da vida, qual a sua essência, o que fica depois da morte, e chego sempre à conclusão, que o que importa (para mim) é a conexão emocional que vivemos através das nossas relações.

“Vivem como se nunca fossem morrer, e morrem como se nunca tivessem vivido” Dalai Lama

A vida tem-me ensinado que não são as conquistas ou os bens materiais, que me trazem verdadeira felicidade e paz interior, mas sim a progressiva conexão emocional que tenho vindo a desenvolver comigo mesma, e com os outros. Assim sendo, sempre que me sinto desconectada de mim própria e da minha verdade, pergunto-me: “depois da morte, o que fica?”. Aí a minha resposta vai sempre dar ao mesmo, que o que fica são as conexões, as partilhas de alma com os outros.

O que é a conexão emocional?

Para mim conectar é sentir o outro, perceber a sua essência, compreender e ser compreendida. É um encontro de almas, sintonizar na mesma frequência, mesmo que vivamos em mundos totalmente diferentes. Todos nós temos muita coisa em comum, sonhos, desejos, medos, frustrações, dores; independentemente de quem somos ou de onde viemos.

Na conexão não há hierarquia, não há status. Há sim espaço para se ouvir e ser ouvido, sentir e ser sentido, aceitar e ser aceite naquilo que existe, e naquilo que se é, sem exigências, sem expectativas, sem julgamentos e sem projecção.

A conexão emocional começa comigo.

Para que haja verdadeira conexão, eu tenho de estar conectada comigo mesma. Tenho de estar consciente de mim mesma, daquilo que sinto, daquilo que vivo e daquilo que experimento. Como vou relacionar-me sem projectar-me no outro, se não estou consciente do meu mundo interno, dos meus padrões, das minhas dinâmicas, da minha sombra?

Vivemos numa era em que tudo nos tira o foco dessa conexão interior connosco próprios. São cada vez mais os estímulos que “puxam” a nossa atenção para o exterior, e é cada vez mais difícil virar a atenção para dentro e lidar com todas as marés interiores.

A negligência emocional.

Vivemos na “dark age” no que toca à inteligência emocional. Como sociedade não sabemos lidar com as emoções, especialmente as negativas, nem ensinamos as crianças a fazê-lo. Não admira que cada vez mais se oiça falar de pessoas a sofrerem de ansiedade, ataques de pânico e depressão. Nós não sabemos lidar com a vida, não sabemos lidar com a tristeza, com a frustração, com a raiva e por aí fora.

Quando uma criança está a fazer uma birra (que nada mais é do que a expressão da sua frustração e zanga) aquilo que commumente se diz é “ai que feio”, e a todo o custo nos apressamos para castrar a expressão dessa emoção, que raramente é validada e processada com a ajuda do adulto, e atenção que aqui nunca referi que não devemos frustrar a criança, apenas realço a importância de a ajudar a lidar com a emoção.

Há também o clássico da criança que cai, magoa-se e chora (expressão natural daquilo que sente) e sai o comentário do “pronto, já passou”.  Com isto não aprende a gerir o seu mundo interno, sente-se sozinha na sua subjectividade, e cada vez mais se afasta, se desconecta de si mesma; pois o seu sentir não é validado por quem a rodeia.

A conexão é o antídoto para a solidão.

Muitas são as pessoas que vivem na solidão, mesmo quando estão rodeadas de gente, e isso acontece exactamente porque não há conexão. Em primeiro lugar com elas próprias, porque se perderam do seu sentir, do seu mundo interno. E em segundo lugar, porque não sabem dar-se ao outro, partilhar-se com o outro, por medo de mostrar o mais precioso que têm, a sua vulnerabilidade. Por medo de não serem aceites e validadas no seu sentir (como aprendem desde crianças), criam muros, defesas e viram-se para fora. Assim se cria o falso self, uma máscara que ilusoriamente nos protege do medo da rejeição, mas que na verdade só perpetua a solidão.

A conexão é o remédio que nos falta.

Acredito que este processo de tomada de consciência do quão “analfabetos” somos no que toca as emoções faz parte do processo de evolução da consciência. Felizmente cada vez mais assumimos a importância de gerir emoções em detrimento da repressão e castração. Pois muitos são os adultos e jovens que “tudo” tiveram (leia-se todos os bens materiais) mas que vivem numa agonia e angustia interna, sem razão aparente.

A verdade é que quando vamos vasculhar no baú, percebemos que nos confins das memórias existe uma criança negligenciada emocionalmente que chora sozinha. Enquanto não aprender-mos a aceitar e a lidar com as nossas emoções, não vamos encontrar a harmonia e bem-estar interno que procuramos.

Conectar com o mundo à nossa volta.

Tudo é energia, e os nossos sentidos foram desenhados para sentir a essência das coisas. Precisamos aprender escutar, sentir e comunicar (conectar) verdadeiramente com os outros, e com o mundo que nos rodeia. Abrir os nossos sentidos, dar-nos conta, e explorar os sentimentos e sensações que surgem na vivência. Tocar nas coisas que estão à nossa volta, senti-las, escuta-las e observa-las verdadeiramente. Conectar 🖤

 

Foto por:Lieve Tobback Fotografia

 

 

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