Relações Conscientes

Hoje dedico a minha atenção às relações intimas entre casal, pois esta semana celebrei 12 anos de relacionamento com o meu marido. Tem sido uma jornada muito bonita de partilha, crescimento e evolução, com o pacote inteiro de emoções que temos direito e que fazem parte desta nossa caminhada enquanto seres humanos.

Nesta nova Era, em que estamos perante o nascimento de uma nova consciência, de uma nova maneira de ser e estar, torna-se fundamental reflectirmos sobre as nossas relações. Desde cedo percebi quão pouco livre somos nas nossas relações, pois vimos cheios de bagagens familiares, sociais, culturais, emocionais e mentais, que não nos permitem recriar novos modelos de relação.

Muitas vezes assumimos determinados modelos relacionais que não são os que estão em maior sintonia com a nossa natureza interior, mas que os reproduzimos inconscientemente como máquinas programadas, sem reflectir ou pensar. Mais uma vez quem ganha essencialmente com isso é a máquina da produção/consumo, veja-se como exemplo o que acontece no dia dos namorados. O que é feito do livre arbítrio?  Já se deram conta que podem fazer as vossas próprias regras no que toca às relações? Tudo é possível, desde que seja com integridade e honestidade. E o amor, vem sempre de dentro, nunca de fora.

Se há coisa que tenho aprendido com a minha relação, é que temos de nos amar a nós próprios primeiro, para depois poder amar o outro. Se vamos com o sentimento de falta, de insegurança, e projectamos a nossa salvação pessoal no outro, temos na mão o passaporte para a infelicidade e provavelmente para o fim da relação. Aquela história de hollywood de que há um amor romântico que nos vai salvar é ilusão. Não que não haja um príncipe encantado que nos venha salvar como contam os contos de fada. Há, mas é interior, e és tu próprio/a, é o teu amor por ti próprio/a que te vai salvar. Mais uma vez, o movimento é para dentro.

Enquanto não te amares a ti própria/a, não conseguirás amar verdadeiramente o outro, porque o teu amor vem da base da falta, da incompletude. É um amor que cobra, que manipula, que controla. E quando o outro não actua como era suposto temos um grande problema. A maior parte das relações actuais baseiam-se nesta premissa de falta, em que “eu sou só feliz porque estou ao teu lado”, porque “tu me completas”. Mas quando tu não me completas, então vêm os sarilhos, vêm as cobranças, vêm as desilusões de expectativas não cumpridas, porque eras o meu salvador.

O verdadeiro amor não cobra. O verdadeiro amor não tenta mudar o outro. O verdadeiro amor aceita o outro como ele é. Não quero com isto dizer que as pessoas não possam tentar ser melhores, mas isso tem de ser um desejo interno do próprio e não uma premissa para a felicidade do outro.

A relação é um excelente veículo para o auto-conhecimento , pois o outro serve como espelho para a nossa sombra. De onde vêm os ciúmes, os medos, as inseguranças, a necessidade de manipular, de mudar ou as cobranças? Vêm de fora, do exterior, ou vêm de dentro? Que dragões internos são esses que são acordados pelo comportamento do outro?

Há pessoas que saltam de relação em relação, na esperança de encontrar o par perfeito, o par que não vai gerar conflito, e que vai trazer a plenitude e o amor para sempre. Mas isso acaba por nunca acontecer, porque as dinâmicas, os padrões mentais e emocionais que formam a bagagem interna inconsciente, vão sempre connosco e enquanto não tomarmos consciência desse programa, a mudança não irá acontecer. Enquanto a paz e plenitude não vierem de dentro, não haverá relação que espelhe isso.

Quando há verdadeira intimidade, honestidade e comunicação entre o par, quando as defesas do ego baixam e o casal se permite ser verdadeiramente honesto e sincero sobre o que sente, então a relação pode ser catalisadora de crescimento pessoal. Não quero com tudo isto dizer que não se devam acabar relações. Há relações que chegam ao fim, que já deram tudo o que tinham a dar, que chegam a um ponto em que estagnam e reprimem os indivíduos, e quando assim é, há que assumir essa morte e voltar a renascer para uma nova vida. Aprender as lições e avançar.

Nestes tempos de mudança é fundamental reflectir sobre o papel das nossas relações nas nossas vidas. Qual a função da relação? Qual a motivação por detrás da relação? Só a consciência e a cura pelo verdadeiro amor, trará paz e harmonia para as nossas vidas e para o mundo.❤

Imagens retiradas de pesquisa na internet.

 

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