Psicologia do Outono

O dia e a noite com a mesma duração, é a mãe natureza a mostrar-nos a mudança da estação. O equinócio de Outono mostra-nos o equilíbrio e a equanimidade, como a prática e valor que nos ajuda a viver uma vida de paz e harmonia. É a dança dos opostos, entre o yin e o yang, o dar e o receber, entre a força e a flexibilidade, entre a disciplina e tolerância…Não é por acaso que se diz “no meio está a virtude”, ou que os budistas falam do Caminho. É porque encontrar esse equilíbrio, esse centro, não só traz sabedoria, saúde e harmonia para as nossas vidas, como também é a busca pelo Ser essencial.

O Outono é a estação que nos relembra que a natureza da vida é a mudança e a transformação. Com as suas cores, ela ensina-nos o processo de maturação e envelhecimento, o deixar ir, o desapego.  Na roda do ano, é tanto o fim, como o inicio de ciclo, e por isso ensina-nos que a vida é um círculo sem fim, de vida – morte – renascimento.

Enquanto final de ciclo, época das últimas colheitas, o Outono convida-nos a fazer o balanço interno, e consequentemente externo, das nossas colheitas. Agradecer aquilo que foi compreendido e integrado, e aquilo que se manifestou. Agradecer e honrar a abundância que existe nas nossas vidas, as nossas relações, os nossos talentos, os nossos projectos, a nossa própria vida. É tempo também de observar e aceitar o ponto de partida para o novo ciclo que está á porta. Tomar consciência do que está velho e já não serve, o que nos impede de viver a nossa verdade, e que é preciso deixar ir. Só assim, se criará um novo espaço para semear novas intenções.

O Outono mostra-nos a lei de entropia da matéria. O caos, a desordem, o envelhecimento que conduz à morte. É a busca por uma nova ordem que gera uma nova vida, e assim, se estivermos atentos, a natureza está-nos sempre a ensinar o grande mistério da vida.

O convite é para se começar a fazer o movimento para dentro, tal como sugere o processo iniciático da jornada do herói/heroína. Estamos a fazer a passagem da estação da extroversão para a da introversão. Esta passagem nem sempre é vivida com paz e tranquilidade. Há pessoas que vivem o que se chama de “depressão sazonal” ou a “depressão do cair da folha” e que se caracteriza por estados em que os sintomas aparecem nas estações de outono e/ou inverno e desaparecem nas restantes.

O confronto com o mundo interno nem sempre é fácil, há muita coisa dentro de nós que nos causa dor, vergonha, zanga, etc. E numa sociedade que está virada para fora, que promove a alienação e a resolução dos problema internos através do consumismo, não admira que muitas pessoas não saibam lidar com este convite ao interior.

A vida pode ser uma experiência maravilhosa, mágica e incrível, mas para que isso aconteça temos de a viver, temos de entrar nos seus ciclos, temos de viver, morrer e renascer constantemente. A resistência a esse movimento natural causa estagnação, doenças físicas, psíquicas e emocionais. Mas a natureza com a sua doçura, ciclo após ciclo, susurra-nos os seus segredos, e convida-nos sempre a entrar na sua essência.

Desejo-vos um feliz e abençoado Outono ❤

Dicas para te conectares com a energia da estação:

<<>> Passeia e contempla a natureza, conecta com as suas cores, cheiros e sons.
<<>> Reflecte e medita sobre como lidas com as mudanças na tua vida (sejam elas físicas, psíquicas ou emocionais).
<<>> Reflete sobre as tuas crenças e sentimentos relativamente ao envelhecimento.
<<>> Pratica a gratidão e conecta com a abundância que é o teu estado natural.

 

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